Semana da Mulher

O Dia Internacional da Mulher – sua perspectiva histórica
Em 1789, com o advento da revolução francesa, as mulheres reivindicaram melhoria das condições de vida e de trabalho, a sua participação na política, o fim da prostituição, o acesso à instrução e a igualdade de direitos.
Em 1791, Olympe de Gouges apresentou a "Declaração dos Direitos da Cidadã", reivindicando o "direito feminino a todas as dignidades, lugares e empregos públicos segundo as suas capacidades". Defendeu ainda que "se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela também tem o direito de poder subir à tribuna".
Como resultado desta “rebeldia” Olympe de Gouges foi julgada e condenada à morte. Em 3 de Março de 1793 foi guilhotinada por "ter querido ser um homem de estado e ter esquecido as virtudes próprias do seu sexo".
Na Inglaterra, como exemplo do ambiente fabril da época, as operárias da Tecelagem Tydesley trabalhavam 14 horas por dia debaixo duma temperatura de 29º, num local húmido, com portas e janelas fechadas. Na parede estava afixado um cartaz que proibia, entre outras coisas, a ida à casa de banho, beber água, abrir as janelas ou acender as luzes.
Como resposta a estas situações desumanas de trabalho surgiram na Europa e nos Estados Unidos manifestações operárias contra estas condições.
Em 1819, depois de um confronto entre a polícia e os trabalhadores, a Inglaterra aprovou uma lei em que a jornada de trabalho das mulheres e dos menores dos 9 aos 16 anos foi reduzida para 12 horas.
No dia 8 de Março de 1857, a luta travada pelas operárias têxteis de Nova Iorque pela redução do horário de trabalho, por melhores salários e condições de vida mais justas, transformou-se num marco importante. 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton pararam o seu trabalho, reivindicando o direito à jornada de 10 horas.
A polícia, a mando dos patrões, reprimiu-as violentamente, fazendo com que as operárias se refugiassem dentro da fábrica. Os donos desta, juntamente com a polícia, trancaram-nas dentro da fábrica, uma indústria têxtil mal ventilada que ocupava os 3 últimos andares de um prédio de 10 andares e atearam-lhe fogo. O soalho coberto de materiais inflamáveis e de lixo que se amontoava por todos os cantos, sem saídas de incêndio, foi rapidamente pasto de um grande incêndio que envolveu 500 mulheres jovens, a maior parte imigrantes judias e italianas.
Quando os bombeiros chegaram já 147 mulheres tinham morrido carbonizadas ou estateladas na calçada da rua, para onde saltavam, ao tentar escapar das chamas.
No funeral das operárias, a líder sindical Rosa Scneiderman organizou um comício com 120.000 trabalhadoras para lamentar “o assassínio bárbaro, frio e calculista das 147 trabalhadoras”.
Em 3 de Maio de 1908, em Chicago, comemorou-se o primeiro "Dia da Mulher”, que foi presidido por Lorine Brown. Participaram neste comício mais de 1.500 mulheres que denunciaram a exploração e a opressão a que eram submetidas. Defenderam a igualdade dos sexos, a autonomia das mulheres e o voto feminino. Foi reivindicada a igualdade económica e política das mulheres.
Em 28 de Fevereiro de 1909, em Nova Iorque, comemorou-se o "Dia da Mulher”. Foi uma actividade organizada pelo Comité Nacional das Mulheres Socialistas. O tema desta jornada de luta foi a defesa do voto das mulheres, a sua emancipação, pelas 10 horas de trabalho diário e a marcação da comemoração anual do "Dia da Mulher” para o último domingo de Fevereiro.
Em Agosto de 1910, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas realizada na Dinamarca a activista pelos direitos femininos e dirigente do Partido Social Democrata Alemão, Clara Zetkin, propôs o dia 8 de Março como “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem “ao confronto heróico das tecelãs de Nova Iorque que foram vítimas do incêndio de 8 de Março de 1857”.
Este dia passou a ser comemorado em todo o mundo como símbolo de resistência operária e como forma de mobilizar amplas massas femininas contra a opressão capitalista.
Em 1913, na Rússia, sob o regime czarista, foi realizada a “Primeira Jornada Internacional das Trabalhadoras pelo sufrágio Feminino”. As operárias russas que participaram nesta Jornada Internacional em S. Petersburgo foram violentamente reprimidas.
Em 1914, na Rússia, as organizadoras da Jornada e do Dia Internacional das Mulheres foram presas, o que tornou impossível qualquer comemoração naquele ano.
No dia 8 de Março de 1914, na Alemanha, o “Dia Internacional da Mulher” foi comemorado sob o tema do direito ao voto para as mulheres.
Em 23 de Fevereiro de 1917 (8 de Março, segundo o calendário ocidental), S. Petersburgo foi palco de uma grande manifestação de operárias russas que protestavam contra a guerra, contra a fome e contra o czarismo.
Esta foi o rastilho de um processo de grandes mobilizações e greves que vieram precipitar o início das acções revolucionárias que tornaram vitoriosa a revolução russa.
Em 1921, na Conferência Internacional das Mulheres Comunistas uma camarada búlgara propôs o dia 8 de Março como data oficial do Dia Internacional da Mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas.
A partir de 1922 o “Dia Internacional da Mulher” passou a ser celebrado, em todo o mundo, no dia 8 de Março.
Escrito por by_sandra às 14h21
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